sábado, 9 de maio de 2009

Achada do Teixeira – Pico Ruivo (11/04/2009)

Sábado. Dia cinzento. Perspectiva de um dia sem graça. Mas como dizia minha avó, maus começos bons acabamentos.
Deixei o pessoal amante da praia ao sol e fui ao encontro do que verdadeiramente me motiva. A serra.
Tinha vários itinerários em perspectiva. Santana foi o meu destino. Ia só. Não poderia ser nenhum percurso perigoso.
Naquela zona a escolha é diversa e também bastante conhecida. Cheguei a Santana com nevoeiro e chuva. Resolvi subir até ao Pico das Pedras. O nevoeiro por entre as arvores na zona de lazer dava um ar misterioso e algo magico. Não havia absolutamente ninguém. Então qual monge tibetano resolvi meter-me a caminho da Achada do Teixeira.
O sol queria aparecer por entre as nuvens. A claridade assim o anunciava. E foi o que aconteceu.
Na achada do Teixeira o tempo era esplêndido! Sol, paisagem linda até ao Pico Ruivo! Como que isolado do resto do mundo, segui rumo ao cume do ponto mais alto desta terra Bendita.
Breves paragens para umas fotos duns planos ainda não conseguidos, fazem o interregno duma caminhada fácil a caminho deste lugar.
Breve paragem ainda para avistar um dos muitos grupos de caminheiros que iniciaram o percurso desde o Pico do Areeiro. Algum cansaço nas faces, mas uma satisfação enorme. Alguns já merendavam junto a casa de abrigo do Pico Ruivo. O sol continuava magnifico.
A caminho do último troço de trilho que nos leva junto do marco geodésico, encontrei um caminheiro meu conhecido da velha guarda. O Sr. Arlindo. Que satisfação trazia o homem estampada na face! (Será o meu espelho daqui a uns anos?) Após uma breve conversa continuamos cada um de nós ao seu destino. Ele a caminho da Ilha, eu a caminho do cume!



Lá em cima senti-me um autêntico “estrangeiro”. Por todos os lados por que me virasse eram gentes de outras terras, outros lugares que ali estavam a desfrutar daquele sítio magnífico, daquele sol, daquela paz! Deitei-me literalmente ao sol! Tive lá cerca de uma hora! Que paz!
Depois deste descanso, oportunidade para mais umas fotos destes momentos únicos que a nossa querida Ilha nos proporciona! Sim! Jamais os conseguiremos captá-los todos. Estes, como tantos outros serão únicos!
Tempo de fazer o percurso de descida. A Vereda da Ilha mesmo ali á mão de semear. Tivesse eu companhia e Vereda abaixo, seria o caminho.
Sendo assim, tempo ainda para uma volta junto da casa na Achada do Teixeira. Que desperdício. Uma casa daquelas num sítio daqueles! Não se encontraria outro uso a dar àquelas instalações? Enfim, divagações minhas a que um dia voltaremos aqui, também certamente
.









Era hora de “recolher” os banhistas afoitos junto a um dos complexos balneares da nossa costa sul. E tinham eles também desfrutado do sol. Mais uma razão porque esta ilha é mesmo completa! Satisfaz os mais variados gostos!
Em suma, um passeio simples, capaz de ser feito por toda a gente. E muita gente, digo eu, dos nossos conterrâneos é claro, não conhece este percurso! Nunca é tarde. Meta-se ao caminho, ao encontro deste lugar. Vai ver que vale a pena.
Um abraço e até á próxima caminhada na minha terra!

Fajã dos Cardos – Lombo do Urzal (05/04/2009)

Domingo. Dia de caminhada com o Grupo Pés Livres.
O dia começou bem cedo como de costume. Havia a expectativa de chegar ao Curral das Freiras logo pela manhã. Coisa que já não apreciava desde há muitos anos.
Junto ao Palácio da Justiça lá nos reunimos como de habitual para a contagem dos elementos que iriam fazer esta passagem desde o Curral ao Norte da Ilha. Mais propriamente á Boaventura. Feito o controle, lá se arrumaram os bordões na bagageira do autocarro. O som característico desta arrumação faz-nos sentir que o arranque está próximo. O arranque para a nossa caminhada.
A subida por Santo António, minha freguesia, faz-se lentamente. Pico dos Barcelos, Courelas, Vasco Gil, Estrela, túnel, e finalmente o Curral aos nossos pés.
Ao descer até ao centro para o café matinal e mais alguma confraternização deparamo-nos com a Procissão do Domingo de Ramos. Havia que acompanhar a procissão. Pelo menos até á zona do café.
Das traseiras deste simpático Bar/café, tempo ainda para umas fotografias sobre os sítios abaixo do Curral, Seara Velha, Lombo Chão, Terra Chã. Lá no cimo A Boca dos Namorados. O dia estava magnífico para uma caminhada. E ela iria ser um pouco dura, diga-se de passagem.
De volta ao autocarro, subimos até á Fajã dos Cardos. E foi junto á Vereda da Fajã Capitão que iniciámos a nossa marcha. Logo á entrada á nossa esquerda, os tanques para cozer o vime para uma industria em completo declínio, que só sobrevive porque há gente que teima em fazer o que sempre soube fazer e bem.

O caminho de princípio faz-se suavemente. Por entre uns terrenos cultivados. Uns palheiros aqui e ali denotam a presença de gado entre portas bem á maneira madeirense. Alguém observa á porta de um deles a perguntar-se certamente o que faz tanta gente se levantar tão cedo da cama para “deitar” caminho serra acima.
O trilho utilizado pelos nossos antepassados da costa norte para deslocar-se á costa sul e vice versa, a dada altura começa a empinar-se serra acima. Os eucaliptos que não se aguentaram de pé desde o ultimo inverno atravessam-se no trilho como que a dizer-nos que a subida não será fácil. Mas a nossa perseverança é grande e a vontade de chegar lá cima maior ainda. Então tronco após tronco, curva após curva, caminhamos lentamente com o Curral nas nossas costas sempre cada vez mais distante e mais bonito. Á nossa direita em, plano inferior, o sitio da Fajã do Cardos, ao longe o Pico Cidrão, Pico do Areeiro. O sol brilha lá em cima. É lá para cima que caminhamos. O nosso objectivo é a Boca das Torrinhas. Perto já desta, as vistas de outro ângulo sobre o Pico Jorge são magníficas.




A chegada a referida Boca das Torrinhas é de certa forma apoteótica. Há que estender-se um pouco. Esperar pelos mais lentos. O tempo, digamos, é bem gasto na espera. Um “assalto” ao farnel e as respectivas fotos preenchem bem os minutos de espera. A vista é fantástica desde este local sobre o Curral. O sítio digamos que é mágico. Aquela “encruzilhada” de caminhos e mágica! Foram cerca de uma hora e quarenta e cinco minutos a subir.
Após a chegada dos mais lentos, mandadas as “bocas” da praxe, lá seguimos o nosso caminho. A caminho da das terras da Boaventura. Ao encontro do Lombo do Urzal.
Fascinante como tudo muda quando iniciamos a descida pela costa norte. A vegetação é mais densa. Os Eucaliptos dão lugar ao tis, os loureiros, os paus brancos, os folhados e os adernos. Alguns ranúnculos e algumas estreleiras, fazem a festa da cor por estas paragens nesta altura. É a Primavera no seu alvor. A humidade através dos nevoeiros dos ventos alísios é uma constante naquelas alturas. Para quem tem dúvidas sobre a diferença do clima ente a costa Sul e a Norte basta fazer esta pequena mudança neste sitio. A descida meus amigos: é LINDA! Difícil, mas linda! Um trilho que merecia ser mais cuidado! Uma descida linda numa floresta mágica!





Algumas quedas que fazem rir todo o pessoal interrompendo o silêncio dos caminheiros que, cada um por si, interioriza aqueles momentos como se fossem só seus. Eu pelo menos senti-me assim. E não há ninguém com alguma sensibilidade capaz de ignorar tanta beleza junta.
Após várias curvas e contra curvas, lá começamos a avistar lá em baixo o Lombo do Urzal, com a Achada da Madeira um pouco mais acima.
Ao cruzar-nos com a Levada dos Tornos (um dia deste iremos até á sua madre), fica pelo menos a ideia que o Lombo do Urzal está próximo. Já vemos ao longe a camioneta. Já o estômago imagina como estará o “macarrão” prometido para o fim da caminhada.

Após a mudança da camisola da ordem, tempo de preparar o prato para dar que fazer ao garfo e á faca! E que bom estava o macarrão! Parabéns as senhoras cozinheiras que muito se esmeraram na confecção deste delicioso prato!
Na volta ao Funchal tempo ainda para uma cerveja fresca no Santo António.
Mais uma caminhada pela minha terra para não esquecer e uma serie de ideias para outros percursos a fazer brevemente!
Até lá meus amigos! Encontrar-nos-emos num qualquer caminho, um dia destes!
Até a próxima caminhada na minha terra!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Levada do Norte-Cabo Girão – Fajã da Ribeira-Ribeira Brava - 29/03/2009

Domingo. Dia bom em perspectiva. O objectivo desta feita era percorrer um dos troços mais conhecidos da famosa Levada do Norte. Iríamos percorre-la desde o Cabo Girão á Boa Morte seguindo depois até a Eira do Mourão descendo finalmente para a Fajã da Ribeira na Ribeira Brava.
A companhia desta feita era o meu irmão mais novo. Novo também nestas andanças mas igualmente entusiasta no que respeita a esta vontade de caminhar e conhecer lugares novos.
Antes da caminhada, era tempo de um café matinal num dos cafés junto ao cruzamento que dá acesso ao Cabo Girão, o mais alto promontório da Europa e segundo mais alto do mundo. Cabo Girão assim se chama porque, conforme é-nos relatado pelo livro “Saudades da Terra” foi nesse sítio que ficaram como ponto de referência, João Gonçalves Zarco e companheiros, para o final do primeiro “giro” de reconhecimento pela costa marítima, no primeiro dia do seu reconhecimento. Tem 580 metros de altura. Voltaremos um dia destes a este lugar.


Findo o café era tempo de encontrar o inicio da parte da Levada do Norte que iríamos percorrer. Não foi preciso procurar muito. Logo abaixo junto ao Ribeiro da Caldeira aí estava ela a magnifica Levada do Norte!
Antes que percorrêssemos o primeiro quilómetro, eis que surge um pequeno túnel com cerca de trezentos metros que nos irá fazer passar da freguesia de Câmara de Lobos para a Freguesia da Quinta Grande num ápice. Num espaço de curtos minutos estamos na terra natal de meu avô paterno, que tão boas recordações tinha da sua terra.








Cruzamos novamente a estrada Regional ainda na Quinta Grande e finalmente vamos por assim dizer ao “sabor da Levada”. Com a freguesia sempre em plano inferior ficamos com uma ideia diferente dessa pitoresca freguesia da nossa maravilhosa Ilha. Os campos cultivados, graças a esta mesma levada dão um ar cuidado a essa mesma paisagem. O mesmo se passa quando após algumas curvas da levada avistamos o Campanário…que visão de grandeza temos desta freguesia a partir desta Levada! São cerca de oito quilómetros de rara beleza sempre com a “civilização” sempre em plano inferior.













Atingimos a Boa Morte cerca de duas horas depois. Arranjos na continuação desta levada até á Eira do Mourão, deviou-nos estrada abaixo, até ao Largo da Boa Morte.

Informados por uma senhora que prontamente nos indicou o caminho mais curto para a Eira do Mourão sem termos de apanhar novamente a Levada do Norte e que segundo ela, era o caminho outrora utilizado entre esta localidade na Boa Morte e a Eira do Mourão, iniciamos o nosso último troço de vereda. Tinha razão a simpática senhora que até nos ofereceu uns maracujás prontamente colhidos na hora. Outrora porque há muito tempo ninguém utilizava aquela vereda que a principio é acompanhada por uma levada pensamos que também desactivada. A referida Vereda tem início logo por detrás da Quinta do Til. Assim colhidas algumas fotos panorâmicas sobre o vale da Ribeira Brava, tivemos por assim dizer “desbravar” caminho. Primeiro a descer ao encontro de um pequeno ribeiro, depois a subir, de encontro á Eira do Mourão onde faríamos a descida final até á Fajã da Ribeira.
As vistas sobre a Ribeira Brava desde a Eira do Mourão, com o edifício da antiga Escola em destaque, são meus amigos, soberbas!
















Depois é só desfrutar os vários ângulos de paisagem sobre Vale da Ribeira Brava, primeiro sobre a Meia Légua, depois sobre a zona de uma grande área Comercial e o Centro Desportivo da Madeira. A descida embora bastante íngreme e exigente é largamente compensada pelas vistas de cortar a respiração sobre este mesmo vale. A Ribeira Brava vista de outros planos completamente desconhecidos. Pelo menos para mim e para o meu camarada e irmão caminheiro.

Ao atingirmos as primeiras casas da Fajã da Ribeira, por sinal completamente abandonadas, uma pequena tentação junto a umas nespereiras que tombavam os pesados galhos carregados de fruto para a escadaria.
Satisfeitos os desejos, rumamos á Ribeira Brava onde na esplanada refrescaríamos as nossas gargantas com uma apetecida e gelada “Coral”.
Uma caminhada que recomendamos a todos os nossos amigos e caminheiros! Pela facilidade, pelos acessos e pela beleza!
Um abraço e até à próxima caminhada na minha terra!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Zimbreiros - Levada Nova-Levada do Moinho-22/03/2009


Domingo, dia magnífico para uma caminhada por duas das nossas Levadas . A levada Nova e a Levada do Moinho.
O dia como sempre começou bem cedo, de resto como para todos os elementos dos Pés Livres. Quando lá cheguei lá estavam como de costume os habituais madrugadores. Estranho este habito do Madeirense que gosta de levantar-se muito cedo desde que o objectivo seja passear. E diga-se de passagem que aquele momento de espera pela camioneta tem algo de parecido com a azáfama de quando era pequeno, nos preparávamos para uma das nossas tão típicas excursões. O momento de espera, a emoção de ver quem chega, quem são os atrasados, como vêm e qual a sua disposição em nada difere dos momentos iniciais destes meus passeios-excursões da minha infância, tão nossos.
Posto este breve momento de saudosismo, devo dizer-vos que munidos desta boa disposição, entramos para a camioneta que nos levaria para a nossa caminhada. Rumo á Ribeira Brava. Pelo caminho, o olhar duma perspectiva diferente do amanhecer na nossa ilha. O recorte perfeito feito no céu pelas montanhas mesmo que apreciado através dum vidro de um autocarro, tem um sabor especial. Talvez por o podermos apreciar sem a preocupação da condução do dia a dia, que faz com que não nos apercebamos que de facto habitamos uma “terra bendita” como diria meu pai.
Ribeira Brava. Tempo para o café da praxe e para alguns adquirirem o que falta para o farnel que nos deverá consolar o estômago ao longo da caminhada.
Posto isto, hora de subir até ao sítio da Apresentação, e aí tomarmos a Levada Nova para aí iniciarmos o passeio que se iniciou a beira dumas casas. Era domingo. Ninguém na rua ainda aquela hora por aquelas bandas. Certamente na missa e outros a aproveitar o silencio que reina naquelas paragens da Ribeira Brava.
A animação era grande. Afinal tratava-se de um percurso em levada o que por si só não se torna muito cansativo e proporciona a conversa quase em contínuo entre os caminheiros. Bom ouvir esta gente que fala sobre tudo um pouco, sobre a sua vida, a dos outros, da tão propalada crise, enfim da vida que nos envolve todos os dias. As vistas sobre a Lombada da Ponta do Sol são uma constante com a sua Igreja “plantada” entre a Ribeira da Caixa e a Ribeira da Ponta do Sol, para onde caminhávamos, em direcção á nascente da Levada Nova. Cerca de um quilómetro antes de chegarmos á referida madre da Levada, encontramos um túnel com cerca de 200 metros. Á saída desse túnel somos brindados com a bela visão duma queda de água que só não roça a perfeição, porque alguém se lembrou de lá colocar umas “mal amanhadas” folhas de zinco para “proteger” os caminheiros dumas gotas de de agua á sua passagem. A nossa crítica: a ter de ser feita esta protecção teriam de ser noutros materiais, nunca em zinco!
Mais uns metros além e somos confrontados com a nascente da Levada Nova! E meus amigos, digo-vos com toda a sinceridade: não fosse eu em grupo e permaneceria ali por largos minutos…a Ribeira da Ponta do Sol com as suas aguas límpidas a alimentar a Levada Nova, com toda a vegetação envolvente, Seixeiros, Salgueiros Chorões, Massarocos…enfim motivos mais que suficientes para lá deixar-se ficar mais do que realmente podemos quando vamos em grupo. A solidariedade assim o obriga, os horários a cumprir também.
Bem, apreciados os atributos da Ribeira da Ponta do Sol, hora fazer o caminho de volta. A Vereda que nos deveria trazer em desnível ao encontro da Levada do Moinho estava camuflada, logo o remédio foi seguir pelo leito abaixo da Ribeira da Ponta do Sol á procura da madre agora da Levada do Moinho. Percurso algo difícil este com os silvados a atrapalhar o percurso na levada. Toda a panorâmica é mais ou menos parecida á da levada que fizemos num nível superior, mas sempre aqui ou ali verificam-se novas perspectivas sobre a mesma paisagem. No fim da Levada já por detrás da Igreja da Lombada da Ponta do Sol, merece atenção um pequeno monumento ás pessoas que pereceram pelos direitos da agua: “nestas aguas correm sangue suor e lágrimas” – voltaremos a este tema um dia destes.
Chegados a Lombada junto a Igreja, tempo para apreciar o velho moinho, mais ou menos em bom estado e o antigo solar sede do Morgadio da Lombada da Ponta do Sol, mandado erigir pelo rico e abastado fidalgo Flamengo João Esmeraldo . Um edifício cor de rosa que não passa despercebido na paisagem deste sitio.
Por fim a camioneta já nos esperava para nos trazer de volta ao Funchal. Não sem antes fazer-mos um “assalto” a mais uma nespereira ali mesmo á mão. Não sem antes, de parar-mos no famoso “Santo António” no Lugar de Baixo para uma cerveja com “dentinho”
Tempo de voltar a casa.
Até a uma próxima caminhada na minha terra!


domingo, 26 de abril de 2009

Risco e 25 Fontes-15/03/2009






Domingo. Dia bonito. Cheio de sol. Prenúncio de um bom passeio. Num local já anteriormente visitado por algumas vezes. Passeio muito “turístico” dirão alguns. Mas sem dúvida um local a visitar vezes sem conta. Dos tais locais que, em cada visita algo se descobre de novo…de surpreendente.
A caminhada desta vez iria ser feita com um novo grupo: Os Amigos da Levada. Grupo de amigos que se reúne sensivelmente uma vez por mês para uns passeios “ligeiros”. Sendo assim, a concentração começou mais tarde. Por volta das 10 horas. Só por volta das onze horas iniciaríamos a caminhada. Levamos os nossos carros para o inicio da descida do Rabaçal. O inicio da caminhada far-se-ia logo de seguida. Em direcção a Casa de Abrigo do Rabaçal. Assim foi. Depois de chegados a Casa de Abrigo do Rabaçal, é só seguir em direcção ao Risco. O caminho é plano e até para pessoas menos capacitadas é facilmente percorrido. E digamos que vale realmente a pena. É um quilómetro digno de ser percorrido. A visão da queda de água que cai desde a Lagoa do Vento até ao Poço do Risco passando não muito distante do miradouro construído para isso mesmo, deixa qualquer um extasiado. Quem lá vai pela primeira vez ou quem como eu já lá foi algumas vezes.
Saboreada a visão do Risco é tempo de voltar para trás. De volta ao ponto de partida. A Casa de Abrigo. É tempo de seguir agora pela Vereda de acesso às 25 Fontes.
Após uma pequena descida encontrarmos uma levada. É nela que devemos seguir no sentido contrário ao seu curso. Depois de uma caminhada de sensivelmente três quartos de hora, chegamos a um local idílico. Uma lagoa envolvida duma beleza inigualável. Duma paz enorme, onde só o esvoaçar dos tentilhões faz-nos pensar que estamos num local que não faz parte dum quadro inventado por um pintor inspirado.
Refrescado o espírito é tempo de regressar. Para não regressarmos ao ponto de partida seguimos em frente. De encontro ao túnel que nos transportará para a vertente sul da Ilha. Depois de atravessado esse túnel seguimos pela estrada de terra batida. Ao encontro da estrada que desce até á Calheta onde estavam parte dos carros estrategicamente colocados antes do inicio da caminhada. Eram duas horas da tarde. Tempo de voltar ao Funchal. O dia continuava magnífico.
Até á próxima caminhada na nossa terra!




sábado, 25 de abril de 2009

Fajã da Nogueira-Montado Leacock-Cª de carga Central-Lvª Pico Ruivo-08/03/2009


Primeiro passeio do ano.
Era a primeira caminhada do ano. Iríamos caminhar nas serras da Fajã da Nogueira, local de verdadeiras preciosidades botânicas e não só e que fazem parte do Parque Natural da Madeira. Possuidora de um dos melhores núcleos de Floresta Laurissilva da Madeira que por sua vez e pela sua diversidade foi classificada pela UNESCO em Dezembro de 1999, Património Natural da Humanidade. Iríamos assim visitar um santuário.


O dia começou bem cedo. Mochila arrumada no dia anterior ás costas e rumei ao Funchal. Junto ao palácio da Justiça já alguns elementos habituais dos Pés Livres aguardavam em amena cavaqueira. Aguardei pelos meus amigos Lucélia, Gonçalo e o Miguel. Eram eles os parceiros mais chegados para a minha primeira caminhada do ano.

Pelas oito horas já o grupo estava bem composto. Aguardamos pela velha camioneta da CMF que nos iria levar á Fajã da Nogueira para aí iniciarmos a caminhada em redor da dita Fajã.
Parámos, como parece que é habito quando o passeio é por aquelas bandas, em Machico para o primeiro café matinal. Tempo para umas projecções para o que eventualmente nos esperava. O dia estava cinzento, carregado. E assim foi. Chegados a Fajã da Nogueira, mais propriamente, junto a ponte sobre a Ribeira da Metade, começou a chover ligeiramente. Impermeável vestido e estrada acima que se fazia tarde. Uma quebrada acabou por bloquear a estrada de acesso á central logo no inicio, pelo que deveríamos chegar lá acima, ao local de início da caminhada, como não podia deixar de ser, a pé. E assim foi. Uma hora depois, sensivelmente, estávamos junto á lagoa da Central. Começamos a subir. A chuva não parava de nos fazer companhia. Cada vez mais intensa. A subida íngreme, primeiro até a Casa dos Levadeiros, depois até a Câmara de carga da Central da Nogueira, fazia algumas pernas fraquejar. Pelo peso da chuva e não só. O silêncio imperava. Só ouvíamos os passos surdos sobre as folhas molhadas que cobriam o chão. Na casa dos Levadeiros, descansamos um pouco para logo depois seguirmos caminho. Foram cerca de duas horas a subir.

No miradouro no qual se deveria avistar as montanhas do Areeiro e o Pico das Torres, não pudemos usufruir dessas visões. O nevoeiro, alternado com a chuva não nos deixaram ver coisa nenhuma. Ficou, com toda a certeza o desejo de lá voltar e confirmar as vistas que os nossos companheiros de viagem não se fartavam de comentar.

A chuva era cada vez mais intensa e já junto á Levada que trás a água desde o Caldeirão do Inferno para a Central da Fajã da Nogueira, caminhando em direcção á sua nascente, podíamos verificar que ela vinha rasa. Cheia até á esplanada. Umas quedas de água lindas de morrer ajudariam a molhar o pouco que ainda tínhamos seco. Quase duas horas depois chegámos ao caminho de terra que nos traria de volta á Central. Pelo caminho de descida, uma visita incontornável aos dois tis gigantes (Ocotea foetens) que resistem ao tempo. Ao tempo anterior á descoberta da Madeira. Um momento de silêncio é obrigatório perante estes dois bons gigantes que muito já sofreram, mas que se mantêm de pé, como que a mostrar-nos a nós pobres humanos que a vida apesar das dificuldades e adversidades, pode ser vivida em cada nesga de oportunidade desde que haja perseverança. Continuamos a descer em direcção ao ponto de chegada. Deveria ter sido até ao Ribeiro Frio, mas a chuva aliada a quebrada que nos “obrigou” a um esforço suplementar acabou por mudar o ponto de chegada desta caminhada para exactamente o nosso ponto de partida. Diga-se de passagem que a chuva nem nos deu uma trégua para podermos apreciar o farnel tão gentilmente preparado em casa.

A vingança far-se-ia dentro já da camioneta enquanto esperávamos pelos caminheiros mais lentos e durante o percurso até ao Funchal: Malassadas a rodos com e sem mel para toda a gente. Ainda no caminho de regresso, paramos num bar no Faial. Foi, como disseram alguns para tomar o “xarope” para não adoecerem com gripe.

Chegamos ao Funchal pelas 17 horas. Depois das despedidas da praxe, voltamos cada um á nossa vida. Durante nove horas estivemos juntos. Num objectivo comum. Apreciando o santuário da Fajã da Nogueira. Com a certeza de ter de lá voltar. Sem chuva. Para convenientemente apreciar cada recanto deste lugar, destes caminhos.
Até á próxima Caminhada na Minha Terra.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Tópicos que valem sempre a pena lembrar

Antes de dar início ao relato das nossas jornadas convém lembrar algumas normas de conduta que nunca são demais lembrar, aos novos e aos mais experientes caminheiros:

Normas de Conduta:

-Mantenha-se dentro do trilho
-Evite ruídos e atitudes que perturbem o meio ambiente
-Não recolha nem danifique plantas
-Não perturbe os animais
-Não abandone lixo (não deite lenços de papel no chão, a sua decomposição é muito lenta)
-Não faça lume
-Se é fumador, não deite as beatas no chão, guarde-as para colocar no caixote do lixo
-Não destrua ou modifique a sinalética


Para sua segurança:

-Não caminhe só, leve sempre companhia
-Recolha previamente informação actualizada sobre o percurso
-Informe sempre alguém do trilho que vai fazer e hora prevista da chegada
-Certifique-se do tempo de caminhada e garanta que a finaliza antes de anoitecer
-Transporte alguma comida e água de reserva
-Utilize roupa e calçados apropriados
-Se possível leve um telemóvel consigo
-Em caso de fortes chuvas e ventos não faça o percurso ou volte para trás pelo mesmo caminho
-Não corra riscos

Feitas as devidas chamadas de atenção, só me resta desejar-vos do fundo do coração, boas caminhadas!

Tudo tem um princípio


Caminhadas na minha terra, será um espaço onde contarei as minhas curtas experiências como caminheiro, sem qualquer tipo de pretensão que não seja unicamente deixar passar sensações minhas. Pontos de vista meus. No fim de contas um olhar muito particular sobre a forma como olho cada canto da minha terra com os seus defeitos e qualidades. Em suma, uma “empreitada” que há muito me propunha mas que ao mesmo tempo adiava com a velha desculpa do tempo. Sempre o tempo. Mas, como disse há bem pouco tempo a um amigo meu, só não temos tempo para aquilo que não queremos. Sendo assim, aqui estou eu. De alma e coração. Aquilo que irão ler e ver daqui para a frente neste humilde espaço, será verdadeiro, do fundo da alma, do fundo do coração. Espero que gostem.